This is the story I originally wrote for the Gente Boa section of O Globo that they decided not to publish (nor an abbreviated version). I wrote it in January, but I finally decided to post it now.
As dez lições cariocas
10. Para as mulheres, não dá para fazer planos durante os jogos mais importantes de futebol. Não adianta sair para boate ou filme; os homens recusam sair de frente de uma TV para poder assistir o jogo. Não adianta sair com as amigas para um restaurante ou um bar; os garçons estarão distraidos pelo jogo. Não adianta dormir; os gritos te deixarão acordada até o final do jogo. Como dizemos em inglês, If you can’t beat em,’ join em,’ ou seja, se não pode vencé-los, junta-se à eles. O melhor plano durante os jogos é assisti-los!
9. Tem regras sutis porém muito importantes no comportamento durante as refeições. Em meu caso, o mais difícil é não poder comer com as mãos, especialmente sanduíche, pizza, hamburger, bolinho, até as vezes batata frita! Sem talher, guardanapo ou palito, não é civilizado no Rio, porém nos Estados Unidos, é aceitável e esperado. As vezes vejo as pessoas limpando a boca depois de cada gole de bebida, mas não tenho paciência para isso; porém aprendi a limpar a boca depois de comer, ainda se fosse só um salgadinho na esquina. Não é comum ver os cariocas comendo ou bebendo enquanto andam, como é normal nos Estados Unidos, e isto é especialmente difícil para mim, já que gosto de multitask, ou seja, fazer mais de uma coisa na mesma hora para poupar tempo. Aqui, comer é um tempo sagrado, um momento separado do resto do dia.
8. Os cariocas são muito afeituosos e dão um beijo não só quando cumprimentam uma pessoa, senão também quando se despedem. Isso não é muito comum com os americanos, menos que sejam parentes, porque não gostamos muito de se tocar. Por isso, levei muito tempo para acostumar com isso. Mas ainda não sei como deveria cumprimentar uma pessoa, já que é normal para os cariocas dar dois beijos, mas as vezes as mulheres só dão um e se abraçam. Nesse caso, fico confusa e acabo com a boca arranhando no nariz da pessoa. E depois de ficar todo incomodada, tenho que dar beijo de novo justo depois do encontro, mesmo que seja curto!
7. Os cariocas reprimem os barulhos do corpo a qualquer custo. Agora nem penso em tirar um lenço de papel para limpar o nariz na mesa do almoço; tenho que ir no banheiro, ainda se vou limpar em silêncio total. Se fizer barulho (ainda no banheiro) as pessoas me olham com puro nojo. Sempre tenho que cobrir a boca quando tossir, ainda se estiver sozinha, porque se uma pessoa entrar e me ver, vai fazer cara feia. Mas por isso estranhei o costume do espirro. Nos Estados Unidos, é bem-educado falar “saúde” quando uma pessoa espirra, até para as pessoas que não conhecemos. No Rio, não é assim. Tanto que os cariocas não aguentam os barulhos do corpo, a maioria das vezes me ignoram quando eu espirro, fingindo não escutar. Os arrotos e as fratulências? Jamais--não tenho vontade de ser banida do Rio!
6. Os cariocas se vestem de um jeito mais formal do que os americanos quando saem de casa. As únicas exceções são quando vão para a praia ou fazem exercícios. Por isso, só nessas ocasiões é “permitido” para as mulheres andar de Havaianas ou de tênis. Nos Estados Unidos, muitas vezes ando de sweatpants ou calça de ioga, mas aqui nem atrevo. Não entendo como as cariocas andam de salto alto com tanta freqüência sem ficar com bolhas nos pés e dor nas costas, e fico muito impressionadas em ver elas andar assim na cidade inteira. Eu não aguento, e a maioria do tempo ando de chinelo (mas, pelo menos, de Havaianas Slims). O costume de vestir bem é um dos costumes cariocas que mais gostei e quando estava em Nova Iorque em Julho, minha mãe comentou comigo, “Por que está de vestido? Só vamos ao shopping!”
5. Os americanos temos um conceito que se chama personal space (espaço particular) porque não gostamos de ficar encostados nos outros e evitamos tocar as pessoas. Ao meu ver, os cariocas adoram estar em multidão e de ficar pertos, seja na praia, em um show, ou em um churrasco. Estão muito mais cómodos em se tocar e ficar mais próximos do que os americanos. Meu pesadelo carioca é ficar no metrô durante a hora do rush, como em uma lata de sardinhas. Fico perplexa quando uma pessoa senta ao meu lado no ônibus mesmo que tenha assento livre, e também quando uma mulher pára um centrímetro atrás de mim em uma fila.
4. Os cariocas tem uma especie de honestidade muito única relacionada com a apariência física. São muito mais abertos para apontar diferenças ou problemas, até com pessoas que não conhecem. Várias vezes, me falaram que fiquei mais gorda. O único americano que faria assim teria um desejo de morte! Mas muitas vezes, apontam coisas para poder ajudar, como mostrar uma mancha no rosto ou uma sujeira na roupa. Uma vez, estive numa loja buscando brincos. O vendedor me aproximou e disse, “Tem algo no seu cabelo,” e enquanto falava, foi tirar um pedaço de algodão do meu cabelo. Fiquei sem palavras porque no meu pais, fazer uma coisa assim com um desconhecido (e até cliente!) é impensável.
3. Acredito que muitos cariocas acham que os melhores lugares da cidade são os mais caros. Mas para mim, são os gratuitos. Adoro os parques daqui, como o Parque Lage, o parque da casa do Rui Barbosa, e a Floresta da Tijuca. Ė tão bom escapar da cidade para passear na mata e nos jardins. Ir na praia ainda é novidade para mim, depois de crescer longe do mar. Gosto de andar na orla, seja em Ipanema ou em Botafogo, e de correr na Lagoa. O Centro Cultural Banco do Brasil é meu museu preferido da cidade, que sempre tem exposição gratuita. Até o coração e alma do Rio, como os blocos do Carnaval e alguns ensaios das escolas de samba são de graça. Adoro andar de bonde em Santa Teresa, onde sempre assisto dramas cariocas.
2. O que mais me incomoda no Rio é a injustiça, que practicamente forma parte da vida. Não pode escapá-la, porque estará presente onde for. Não aguento ver nenêns famintos, nem garotinhos sujos, descalços e desesperados, nem as velinhas pedindo esmola. Apesar do que as pessoas as vezes dão dinheiro e comida para os mais pobres, fico incomodada com a atitude indiferente de muitos cariocas, como “sempre era assim, é assim agora, e não posso mudar nada.” Talvez eu seja ingenua ou idealista, mas eu concordo com o Machado de Assis que “a indiferença é o pior de todos os males.”
1. A coisa que mais valorizo sobre os cariocas é que se você cair, sempre terá alguem para te segurar. Os cariocas são umas das pessoas mais solidárias e generosas que encontrei e sempre fico surpreendida como eles tratam bem os desconhecidos. Cada vez que tive um problema sério, os cariocas sempre me tratavam com paciência, respeito e muito carinho, me deixando muito mais calma e muito agradecida. Uma vez, estava no trem indo para um jogo em Maracanã com meu marido e o carro ficou muito quente e abafado. Comecei a passar mal e desmaiei. Quando acordei na plataforma, um grupo de pessoas preocupadas me rodearam, me oferecendo água, gelo e conselho. Continuei enjoada e mareada, mas senti estranhamente amada, despertada pelo calor humano.



Rachel,
Loved your article. They absolutely missed an opportunity by not publishing it.
I bet number 2 was way to honest for them to hear...and most of all accept it...
Ray
Posted by: Ray Adkins | April 30, 2009 at 03:27 AM
Olá Rachel,
Não sou um "Carioca da Gema", já que sou nascido em São Gonçalo (depois de Niterói), mas mesmo assim fico pensando porquê de alguém sair de um país civilizado para viver neste inferno (quente e injusto)?
Eu estou me preparando para migrar daqui pro Canadá onde o clima é frio e a violência é bem pequena.
Conheço NY apenas no inverno, mas já ouvi falar que o verão é, como aqui, muito quente.
Abraços
Paulo Mello
Posted by: Paulo Mello | April 30, 2009 at 09:41 AM
So true! I'd say most of them apply not only for cariocas but for Brazilians in general.
Posted by: Roberta Zouain | April 30, 2009 at 02:25 PM
This list reminded me of a book I found in Rio called "How to be a Carioca, The Alternative Guide for the Tourist in Rio" by Priscilla Ann Goslin, The author is an American who married a Carioca and has been living in Rio for over 30 years . I kind of disagree with the second part of the book's title though. It's billed as a tourist guide but really it's more of an anthropological document outlining the differences between Americans and Cariocas through an American's eyes. In fact, a lot of the advice it gives, the dual language references it makes, and the stories it tells are so detailed, so ironically funny, and so jaw droppingly dead on that I feel they would be lost on a tourist who was visiting Rio for just a couple of weeks and doesn't speak the language. I really feel its a great novelty item/souvenir for any American who has spent a lot of time in Rio and loves the city. It seems like more of an artifact preserving cultural differences than does a tour guide like Rio for Partyers or something...hehe (don't get me wrong though...I love to party in Rio.). I found the book at a book store called Copabooks on Rua Francisco Sá in Copacabana of course. I hadn't seen it at Livraria da Travessa or Saraiva but who knows, it could be there. I actually didn't buy it at the time and really regretted it, but I was suddenly reminded of it and just found and ordered it on Amazon.com!!! Not quite the same but oh well.....
Anyway, here's the website for the book. Perhaps some of you have already read it...
http://www.howtobe.com/the-book
Posted by: BZgirl | April 30, 2009 at 02:27 PM
Muito boa essa tua lista, uma pena que não publicaram.
Acho muito peculiar e interessante essas sua observações sobre o Rio e seus nativos. Sendo carioca e estando saturado na cultura, para analisar ela por um olhar "de fora", acho que faria observações um pouco diferentes. As lições 6,7,9 e 10 eu diria que elas podem variar bastante dependendo do local e dos "cariocas" que te cercam. Mas acho que no geral achei muito legal e interessante. Acho que de repente as tuas observações são mais honestas e puras, por tu teres vindo de outro lugar.
Também já fui um foreigner at NYC. Morei 3 anos lá, e sou demais fã do povo norte-americano, de suas origens e história, seu espírito empreendedor e prático (que acho bem diferente daqui) e seu orgulho pela a sua própria terra. Sinto muitas saudades de lá, e das pessoas que conheci. Mas devo concordar contigo na tua primeira e última lição que aprendeste aqui. O calor humano daqui é incrível mesmo. Isso dá saudades quando tu estas lá.
Boa viagem de volta!
te acompanho no twitter e aqui.
Posted by: guzguz | April 30, 2009 at 02:42 PM
Olá Rachel!
Adorei seu artigo e ri bastante, principalmente com o item 7.
Mas sobre comer com as mãos, ao meu ver, vc exagerou um cadinho. Eu sou daqui, e como batata, pizza, hamburguer com as mãos. Confesso que tempos atrás havia essa frescura de tudo ser com garfo e faca.. mas hj em dia é mais "relax".
Agora, São Paulo.. nossa, lá vc ia sentir o nível de pessoas formais e que não usam Havaianas nem para ir a padaria.
Mas foi muito interessante o seu artigo.. aprendi um pouco sobre os americanas. Eu não sabia que exista essa coisa de "personal space".. Enfim.. cada canto (país) com seus costumes.
Posted by: Aline Pereira | April 30, 2009 at 02:45 PM
I'm so amazed that I could actually understand your writing! I've been studying portuguese for a really short time, but it seems that the Spanish background really helps- good for me! Your observations are really interesting and I would probably wonder about the same things- coming from a cold Nordic country ;).
Posted by: Hanna | April 30, 2009 at 02:56 PM
Ótimo texto, Rachel!!!
Estive no Rio em outubro passado e me encantei, pois a primeira vez eu tinha apenas 9 anos.
Você conseguiu traduzir o espírito carioca muito bem, apesar de não concordar muito com o que falou sobre a maneira do carioca se vestir. Na minha opinião, é o brasileiro que mais sabe se vestir com informalidade, de um jeito descolado "cool", sem parecer desleixado. Amei como as cariocas, independente da roupa que estão usando, usam havaianas em diferentes situações.
Não resisti e também comprei uma havaiana slim, na saída do Rio e depois dessa viagem mudei minha maneira de vestir.
Moro em Brasília e você precisa ver como aqui sim as pessoas se vestem super hiper produzidas e formais, com um estilo totalmente "over".
Sucesso na sua volta pra casa!
Posted by: M. M. | April 30, 2009 at 03:33 PM
os cariocas realmente nunca ouviram falar de "bolha pessoal".
homens cariocas qdo conversam sentados tocam na perna uns dos outros. Aqui no Rio Grande do Sul, nos sentimos bem desconfortaveis qdo outro homem toca nossa perna durante uma conversa. Se uma mulher fizer o mesmo, bom, daí depende se estamos interessados nela ou não hehe.
mas a questão é que realmente os cariocas são um pouco grudentos demais haha.
Posted by: RogerPenna | April 30, 2009 at 03:49 PM
Oi Rachel: quando eu estive no Rio em 2007, eu fui num posto de gasolina comprar chiclete. De repente vi que não tinha trocado em reais suficiente, e um homem desconhecido atrás de mim se ofereceu para completar a diferença. Fiquei boba com a gentileza.
Posted by: Grace | April 30, 2009 at 04:23 PM
Paulo Mello, se você quer ver quente, e só morar em Washington DC. No verão (já esta quente em abril!) até meados de setembro é muito quente. Quente e úmido, as vezes parece a Amazonia..:)
Posted by: Grace | April 30, 2009 at 04:25 PM
Nossa menina, como todas essas comidas que você citou com a mão, e olha que tenho fama de fresca...
Agora comer na rua andando eu achava esquisito quando morava em San Diego, apesar de não ter nada de estranho nisso!!! Costumes, vai entender...
Sorte na sua volta
Posted by: Paula | April 30, 2009 at 04:50 PM
"O vendedor me aproximou e disse, “Tem algo no seu cabelo,” e enquanto falava, foi tirar um pedaço de algodão do meu cabelo. Fiquei sem palavras porque no meu pais, fazer uma coisa assim com um desconhecido (e até cliente!) é impensável."
Hum, I always do this here in San Francisco. Am I being rude in a american point of view?
For me it seems rude NOT to tell the person that she has something in her hair and let her walk around with it.
Posted by: Marcio Goncalves | April 30, 2009 at 05:42 PM
Bom dia.
Perdi o sono e aqui estou eu as 4 da manha na web quando descobri seu blog e me surprendi com este seu post. Me surpreendi pela forma limpa e humanizada com que soube descrever a essencia carioca.
Fico feliz em saber que se sente bem no Rio. Não tenho muito a oferecer, mas se algumas imagens da cidade, ou mesmo outras que fiz mundo a fora, lhes forem agradaveis aos olhos, fique a vontade para visitar meu site www.s4photo.co.uk
Bom feriado!
Marcos Semola
Posted by: Marcos Semola | May 01, 2009 at 04:52 AM
Sou uma espanhola que passou algum tempo no Rio e é muito engraçado para mim ler algumas das suas percepçoes sobre a cidade. Em muitas coincidimos plenamente, por exemplo o lance da roupa (eu sou de Barcelona e aqui todo mundo é informal) o do barulho (que estranho que as pessoas achem esquisito assoar o nariz, da para ver que com o calor nao é tao normal ficar resfriado). Com o lance da comida, no entanto, a minha percepçao é totalmente contrária à sua. Para mim tem muita comida na rua (aqui na Europa geralmente nao tem) e o tempo do almoço é rápido (aqui paramos 3 horas e durmimos um pouquinho).
É muito legal comparar as percepçoes das pessoas viajando, é a verdadeira aprendizagem da vida.
Posted by: Cristina | May 02, 2009 at 08:15 AM
Mt legal, ri mt com alguns pontos pq coincidem com as da minha namorada, mas com relação à injustiça vejo q isso é algo não só do rio ou do Brasil mas do mundo de uma forma geral. Ou os norte-americanos não se sentem mal ao saber que os vizinhos do sul são mt mais pobres? E os europeus? Não sentem que podem mudar o q acontece com os vizinhos africanos? Isso sem levar em consideração o que historicamente tanto os EUA como a Europa "ofereceram" aos do hemisfério sul. O que vc sugere? O q deu pra vc fazer para melhorar essa situação?
E em NY não tem mendigo? Em Miami vi gente pedindo dinheiro, mas confesso que o único que conheço da América do Norte é a Florida e eu era mt mais novo assim que na verdade não sei como é na sua cidade, mas já ouvi falar de algumas coisas q acontecem q não parecem deixar uma imagem de uma cidade sem diferenças sociais, ainda q seja o pais "mais rico" do mundo.
Realmente é uma situação mt triste, é como por exemplo ver seu país destruindo outros e matando gente inocente por uma guerra que não é sua. Isso não é uma injustiça?
Posted by: Cadu | May 02, 2009 at 08:27 AM
Cadu brings up an excellent point.
Poverty in Brazil is somehow 100% Brazil's fault and we, the Brazilian middle-class, should be knocking ourselves in remorse over it.
But the economy is globalized and has been for quite some time. For 50 years now, the U.S. has dominated the world's financial instruments. It has cERTAINLY dominated the socio-economic perspective of the Brazilian decision-making elite, having helped engineer a coup detat in 1964 to ensure that things would stay that way.
So why should the Brazilian middle-class be anymore concerned with poverty in Brazil than the American middle-class, who've helped construct this situation and certainly benefit from it (or not) as much as we supposedly do?
This is the gringo POV that I just can't get my head around and it certainly isn't just Rachel who feels this way.
It seems to me that gringos, as a rule, are quite happy living with immense amounts of poverty in the world as long as they don't have to see, smell, or interact with it. And because the Brazilian middle-class does all these things - and because we don't just magically snap our fingers and make poverty disappear - we are somehow supposed to be more corrupt and irresponsible than Americans.
Posted by: Thaddeus Blanchette | May 03, 2009 at 01:03 PM
Eu adoro ver o seu olhar sobre a minha cidade, mas uma coisa em que vejo você pecando é considerar que todos os cariocas são iguais aos que você conheceu =)
Por exemplo, about number 10, nem todos os homens cariocas gostam de futebol. Eu tive a sorte de não namorar um homem sequer que gostasse de futebol, embora meu pai seja fanático pelo Botafogo, então tenha crescido numa casa onde tudo parava para o futebol. Já namorei um legítimo garoto de Ipanema que nem Copa do Mundo curtia: em época de jogo ele pegava o violão e íamos para a praia enquanto ele ficava tocando para mim. Não tem nada passando na TV além de futebol? Colocamos um DVD e ficamos namorando no sofá. And I absolutely hate the fireworks!
About number 9, eu não consigo entender porque americanos acham natural ficar com as mãos engorduradas e depois sair engordurando tudo ao seu redor. Greasy hands bring greasy clothes, greasy hair, greasy glasses... Muito pouco higiênico na minha opinião.
7 - Barulhos de peido e arrotos são aceitos se você for homem (e machista, e mal-educado), mas considerados grosseiros se você for mulher. Homens fazem campeonatos de arroto e dão risada, mas na minha opinião são os mesmos homens que não vêem problemas em urinar no meio da rua num muro ou poste.
6 - Depende da criação da pessoa. Eu saio largada e com "roupa de faxina" para ir ao supermercado porque irei carregar compras, suar e me sujar. Eu compro pão usando pijama. Mas quanto mais ao sul, mais as pessoas se arrumam para sair. Em São Paulo ninguém vai de pijama à padaria. Meu namorado curitibano SURTA se eu for ao mercado "vestida como uma mendiga".
5 - About personal space: I like my personal space very much. Não gosto e me sinto incomodada pelas mesmas coisas que você citou, e sou carioca nascida e criada na cidade. Só gosto de ser tocada por pessoas que eu conheço, amigos ou pelo menos conhecidos. Odeio fila, não suporto metrô lotado, fico em pânico em ônibus superlotados. Detesto aquela senhora tagarela da fila do banco que começa a contar a história da vida dela se você olhar nos olhos dela.
4 - So true...
3 - Não sei se porque nunca tive muito dinheiro, mas discordo. As melhores coisas do Rio são as gratuitas e nós cariocas sabemos disso muito bem. Pelo menos eu e meus amigos gostamos dos chamados "3B": Bom, Bonito e BARATO.
De resto, muito obrigada por 2 e principalmente por 1 e boa sorte em NY!
Posted by: Lanika | May 03, 2009 at 06:43 PM
Muitíssimo interessante ver esses comentários a respeito da vida carioca, tão normal pra gente, que nem percebemos. Alguns pontos são discutíveis. São suas impressões, claro, e você está com a sua razão em ter visto e entendido dessa forma.
O futebol, por exemplo. É impossível você achar algo diferente. Principalmente no Rio. Estar em Copacabana durante um jogo do flamengo, é escutar em uníssono, o grito encanado por todos aqueles corredores de ruas e prédios, de um bairro inteiro e todos os seus bares em alto e bom "gooooollllll". Como você poderia pensar em algo diferente? A minoria que não gosta de futebol é imperceptível diante de tal massa orgulhosa ocupando cada bar, esquina, televisão, banca de jornal, etc. da cidade. Eu, por exemplo, faço parte da minoria. Jogo Rugby, não futebol.
Os barulhos do corpo, vc está completamente certa. É muito normal um estrangeiro assoar o nariz em um lenço, no barulho que ele tiver que fazer. Se estiver perto de um carioca, a gente fica desconcertado. Se estiver entre estrangeiros, não há problema algum. Uma normalidade só! Já entre os homens, e somente entre eles, peidos e arrotos estão liberados. Seja entre amigos, desconhecidos no banheiro, ou numa arquibancada durante um jogo de futebol. Se uma mulher estiver perto, a coisa muda de figura.
A informalidade carioca em se vestir, quem vê é só o carioca que acha que aquela produção-shopping, é informal. Aqui é um preparo desnecessário, sempre, quase ritual, pra sair pra vários lugares. Só somos informais e básicos, quando vamos pra tirar a roupa (praias). Eu diria até que nem os homens são tão práticos pra se vestirem quanto os homens americanos.
Já em relação ao espaço pessoal... bem, eu sei que a gente é mais próximo que os americanos, nos permitimos algumas coisas a mais que o americano não gosta. Mas eu não suporto conversas com um desconhecido me segurando no braço, toda hora botando a mão em mim, ou pior, muuuuuuito pior: quando eu estou sentado (geralmente em um bar) e o sujeito está em pé, e começa com aquela conversinha em diversos tons, altos e baixos... e quando ele fala baixo, quase encosta o nariz na minha cara, me segurando pelo braço pra destilar toda sua inteligência alcoolizada. Isso pra mim é o pior. Como a Lanika disse acima, toques só são bem-vindos de conhecidos.
Quanto aos locas gratuitos, essa é a grande virtude carioca, sua democracia nas diversões, seus prazeres garantidos a pouco ou nenhum custo. Entretanto, claro, aí tem um porém, não existe nada caro demais ou barato demais pra quem goste "de menos". Eu partilho sua opinião, o melhor do Rio é de graça!
É isso! Gostei e apoio suas exposições acerca do nosso modo de viver, incluindo aí todas as suas particularidades que possam não representar exatamente a maioria. Foi o modo que você viu e entendeu a cidade.
Beijos! (coisa de carioca...)
Posted by: Thyago | May 05, 2009 at 12:15 AM
Rachel congrats for your post, we need more post like that with fun, curiosity and not only political post talking about favela all the time.
Elizabeth
Posted by: Elizabete | May 06, 2009 at 04:00 PM
Rachel you just forgot about make-up Brazilian x American.
Because we brazilian usually just put little make-up on, such lips stick/gloss, mascara/pencil for eyes. But for other occasions like weddings, parties etc we put a heavy(in my opinion appropriate) make up. Usually the american woman put lots of foundation and heavy make-up no matter if is day time, lots of times with very, very informal outfit. flip flop etc
Posted by: Elizabete | May 06, 2009 at 04:13 PM
Oi Rachel!
Sou Brasileira e resido nos estados unidos ha 11 anos e tenho um coracao muito divido em relacao aos 2 paises, quando vou ao Brasil quero estar aqui e vice versa.Nos Estados unidos me sinto segura, sei que posso contar com a policia, sei que posso contar com o sistema de saude e de educacao... mais acho os americanos roboticos, frios, mal vestidos e mal educados a mesa.No Brasil por outro lado me sinto sufocada com a falta de espaco pessoal,a falta de seguranca,como todos se metem na sua vida, a ignorancia das pessoas...mais o brasileiro e um povo muito amoroso, solidario,FELIZ e que sempre esta tentando ajudar o proximo mesmo que nada tenha.Aqui nos estados unidos somos sempre tratados como inferiores e no brasil vcs sao tao bem tratados... Acho que nao existe lugar perfeito!
Posted by: Patricia | June 03, 2009 at 10:07 PM
Carioca é tudo folgado, grudento e nojento.
Fato.
Posted by: Miss Observer | December 09, 2009 at 01:22 PM
Comentário de Patrícia, só pode ser paulista. Fato.
Posted by: Júlio César | February 02, 2010 at 08:11 AM
Oi Rachel,
adorei sua lista, ao contrário do que muitos falam também fui muito bem tratada pelos americanos na Califórnia. As pessoas foram solidárias e educadas comigo o tempo todo. Agora, senti muito a falta do toque. Achava super estranho alguém ser tão afetuoso e não dar um abraço. Enfim, cada povo com a sua mania.
Beijos (porque sou carioca)
Posted by: Ana | June 17, 2010 at 09:07 PM